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ღ "É, eu cresci. Percebi quando..."

Eu cresci. 

O que eu tanto queria há tampos atrás, aconteceu. Eu cresci. 

Percebi isso, quando fui na minha primeira casa, entrei em meu primeiro quarto e lá estava tudo do jeitinho que deixei. Minha cama no mesmo lugar de sempre, meu guarda roupa que agora só guardava coisas velhas. A parede que ainda estava cheias das figuras que colei ali. Com a mesma cortina e lençóis na cama,  dos bananas de pijamas. Fechei meus olhos e me vi correndo naquela casa. Me vi pequena deitada naquela cama, e lembrei das noite de choro, pedindo para ter logo a idade que tenho hoje. E hoje às vezes me pego chorando, pedindo pra ter aquela idade outra vez, pra avisar aquela menina que fui um dia, pra não ter mais tanta pressa. 
Me olhei no espelho daquele guarda roupa e não vi mais o mesmo reflexo que  via a tempos atrás. Abri, e lá estava minha caixinha de lembranças, coração doeu tanto,  que parece que ele estava nas mãos de alguém que não tinha dó de apertar. Cartinhas carinhosas de pessoas que hoje as vejo e não as conheço mais. Cartinhas amorosas de amigas que me trairão na primeira oportunidade que tiveram. Cartinhas do ex namorado que ainda tinha o cheiro dele. Em uma caixinha estava todas as pessoas que passaram pela minha vida e não permaneceram. Aquela caixinha acabou comigo. 
É, eu cresci. Percebi quando encontrei minha boneca preferida, ainda com a mesma roupinha, cabelos cortados, e maquiagem que fiz nela com minhas canetinhas, e não desejei brincar como fazia a tempos. Apenas segurei, fechei meus olhos e viajei para os dias em que eu ficava naquele quarto, somente eu, ela e a escolinha imaginaria que eu criava ali. 
É, eu cresci. Percebi quando olhei para fora da janela do meu quarto e agora ela não é mais tão alta. Agora eu poderia fugir do castigo sem medo. Mas agora não teria mais emoção. 
É, eu cresci. Percebi quando consegui subir sem esforço nenhum, no fogão a lenha da minha vó. Só que agora não vale mais, já que não mais a verei cozinhar ali.
 
É, eu cresci. Percebi quando vi toda aquela terra no quintal daquela casa, minha casa, e não pude mais fazer bolinho de barro. Apenas viajei nos dias dos xingamentos,  por me sujar dos pés até os cabelos, e principalmente por causa das blusinhas brancas. 
É, eu cresci. Percebi quando encontrei minha primeira bicicletinha, toda rosa, e minha bonequinha ainda no cestinho, e uma onda enorme de saudade me fez afundar nas lembranças do dia em que orgulhei de mim mesma, por ter conseguido andar pela primeira vez sem as rodinhas. 
Eu cresci. Percebi quando ao abrir uma gaveta do guarda roupa da minha mãe, me vi criança em todas as fotos guardados ali. Com um sorriso largo e pureza nos olhos. Simples e com uma felicidade rica. 
Eu só queria voltar no tempo e avisar aquela menina que eu to me esforçando para ser tudo o que ela sempre dizia a minha mãe que queria ser. Que acabei fazendo algumas coisas que ela dizia que nunca ia fazer, mas que aprendeu com cada erro. Dizer a ela, que eu finalmente cresci como ela queria, mas que infelizmente não é tão legal quanto ela imaginava. Mas que eu to lutando para ter tudo o que ela sempre quis ter, e só descansarei quando cumprir tudo o que eu prometi que iria conseguir. Tudo o que eu prometi a mim mesma. Eu me devo isso. ✽
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Déborah Ferreira

Menina de 21 anos, que odeia drama, exceto as suas. Um dia um poço de meiguice e fofura e em outros fria e calada. Que fez do caderno e da caneta seus melhores amigos, e do livro o seu companheiro até o fim. Aprendeu a transformar suas experiencias em textos, por não conseguir muito desabafar com pessoas. Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria! Quem gosta de leitura, nunca se sente sozinho. ♥

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