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ღ "Saudade do tempo em que tudo era Simples, mas que nunca faltava nada."

Há quem não goste do interior.
Há quem inferiorize.
Há quem faça piada com quem é de lá.

Há quem não teve a sorte de nascer e crescer na paz da cidade pequena, isso sim.

Eu que quando adolescente, não via a hora de vim pra cidade grande e desfrutar de todas as coisas boas que aqui tem a oferecer. Hoje depois de ter agarrado as oportunidades que me apareceram, agradeço por tudo, mas me vejo com o peso da saudade de viver na paz do lugar em que o barulho dos carros aparecem de vez em quando. Dos cantos dos pássaros que eram frequentes, da beleza de ver as árvores balançando e fazendo cair suas folhas com o vento. O ar puro e aquele azul do céu que você consegue ver nitidamente, assim como as estrelas que você consegue até contar se quiser passar a noite inteira olhando para elas, sem ter poluição para embaça-las. Saudade do barulho das águas caindo das cachoeiras. Eu que achava a água salgada super d’hora, sinto saudade das águas limpas e doce dos rios. Das flores que você conseguia ver abrindo, por ter um jardim no quintal de casa. E das tarde tranquilas conversando com as melhores amigas na varanda. E das árvores enfeitadas com papéis coloridos e das fogueiras na casa do pessoal mais velho, na melhor época do ano, o São João. E das comidas, que só comendo para saber como tem diferença. 

Os vizinhos que sempre ficam de olho na nossa vida, aumentam mas não inventam, mas que mesmo assim, eram unidas e hoje sou rodeada por completos desconhecidos. E das velhinhas que quando não estavam na janela, podíamos já imaginar que algo deveria ter acontecido.
Dos domingos sagrados que eram totalmente da igreja, as 10hs da manhã e as 20hs da noite. Que bastava dar alguns passos e chegava, sem ter que pegar trânsito e chegar atrasada.
Das pessoas simples, mas que nos cobre com tudo o que têm, e com todo o amor que possuem. Do respeito das “bênçãos” e dos beijos de “Deus te abençoe”.
Das velhinhas que sempre tem algo a nos ensinar.
Das areias que sujam os nossos pés, mas que sempre nos faz rir quando comemoramos por ter conseguido passar com a moto no “arião” sem cair.
Das poças de água na estrada que sempre acabavam virando diversão depois das chuvas.

Saudade do tempo em que tudo era Simples, mas que nunca faltava nada.

Eu precisei ficar longe. Precisou ficar difícil retornar, precisou eu pirar com a barulheira, para eu dar o merecido valor à paz do lugar que hoje eu encho os olhos de lágrimas quando tenho que me despedir. Que hoje virou férias rápidas o que antes era rotina. 

Déborah Ferreira

Menina de 21 anos, que odeia drama, exceto as suas. Um dia um poço de meiguice e fofura e em outros fria e calada. Que fez do caderno e da caneta seus melhores amigos, e do livro o seu companheiro até o fim. Aprendeu a transformar suas experiencias em textos, por não conseguir muito desabafar com pessoas. Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria! Quem gosta de leitura, nunca se sente sozinho. ♥

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